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Mosconi pede fiscalização de agrotóxico em todo o Estado

O deputado Carlos Mosconi (PSDB) informou na sexta-feira (11/07/08), que pediu a Secretaria de Estado de Saúde para fazer a coleta de amostras de alimentos também em supermercados do interior e não, apenas, na capital como acontece atualmente. Mosconi, que presidente da Comissão de Saúde, disse ainda que é preciso conscientizar o produtor e estruturar os órgãos de fiscalização do Estado com equipamentos e mais pessoal especializado para combater os abusos.

Na quarta-feira (08/07/08) foi realizada audiência pública, por solicitação de Mosconi, na Assembléia Legislativa, para discutir os índices alarmantes de agrotóxicos em amostras produtos como tomate, morango e alface. O encontro teve a participação de produtores, representantes da Secretaria de Estado de Saúde (SES), a Vigilância Sanitária Estadual e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A audiência avaliou também os resultados apresentados pelo Programa de Análise de Resíduos Agrotóxicos em Alimentos (Para-2007) da Anvisa, publicados em abril. O encontro foi realizado em conjunto pelas comissões de Saúde, de Defesa do Consumidor e do Contribuinte e de Política Agropecuária e Agroindustrial.

Conforme dados da Anvisa, o tomate é o produto que mais apresenta toxicidade. Das 123 amostras analisadas 55 apresentaram resíduos tóxicos acima do permitido, o equivalente a 44%. Nas 94 amostras de morango foi constatada toxicidade em 41, ou 43% delas. Nas 135 amostras de alface, foram encontrados resíduos tóxicos em 54, ou seja, 40%.

A gerente de Normatização e Avaliação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Letícia Rodrigues da Silva, informou que o Brasil é o 2º maior consumidor de agrotóxicos do mundo. De acordo com ela, substâncias químicas de alta toxicidade proibidas na Europa, Estados Unidos, China e Índia tiveram o consumo triplicado no Brasil em 2007.

De acordo com a gerente de Vigilância Sanitária do Estado, Cláudia Parma Machado, Minas Gerais apresentou diminuição de toxicidade no mesmo período. Segundo ela, nas amostras de tomate a porcentagem de toxidade foi de 34%, do morango 33% e a alface 22%.

Os representantes das entidades de saúde reconhecem que os trabalhadores na agricultura são os mais prejudicados pelo uso de agrotóxicos. Cláudia Parma, da SES, diz que os trabalhadores estão mais expostos a doenças como câncer de vários tipos, doenças neurológicas e taratogênicas (deformação de fetos).

O presidente da Associação dos Produtores de Hortifrutigranjeiros de Minas Gerais, Antônio Lopes Rodrigues, garantiu que o produtor é um dos mais prejudicados, porque além de sofrer com a contaminação, ainda vê o produto desvalorizado por conta da divulgação de pesquisas sobre toxicidade dos alimentos. “Garanto que os produtores usam somente o que é recomendado pelos agrônomos, conforme exige a legislação”, enfatizou.

 

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